Thursday, October 27, 2016

Evocação do Recife

"Foi há muito tempo...

A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
                                    Ao passo que nós
                                    O que fazemos
                                    É macaquear
                                    A sintaxe lusíada
A vida com uma porção de coisas que eu não entendia bem
Terras que não sabia onde ficavam"
(Manuel Bandeira)


Gostei desta citação de Manuel Bandeira por que faz me lembrar de minha infância. E neste poema ele está falando da infância dele e o que ele se lembra da cidade em qual ele se cresceu. Nesta citação ele começa com uma frase usando reticência "for há muito tempo..." pelos pontos que são usados o leitor é deixado algum tempo para refletir no passado, um passado que agora está longe. Depois ele começa "A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros" na primeira linha deste texto é um personificação por que a vida não chega ou quer dizer que não lhe encontra em algum lugar, a vida só acontece. Mas eu acho que Manuel Bandeira esta dizendo que as experiências da vida tem que ser vividos não pode ler sobre aquilo e se entender porque nunca se passou por aquilo. Nas próximas linhas ele usa um antítese ou que as frases lado ao lado são opostos. "Vinha da boca do povo na língua errada do povo/Língua certa do povo" não faz sentido ter povo falando a língua errada e o mesmo povo falando a mesma língua que é certo. Mas aquela língua é comparada com o que? se for comparada com a língua do Portugal ou formal, de alguém com uma educação então será errado mas se alguém fala e uma outra pessoa lhe entende então está usando uma linguagem correta. Só por que uma região fala diferente do resto do mundo não significa que está errado, só é único para aquela região.

Thursday, October 13, 2016

O morcego

" Pego de um pau. Esforços faço. Chego
A tocá-lo. Minh'alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!

A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!"

(Augusto dos Anjos, O morcego)

Tanta linguagem artística é usada neste poema. Usa metáfora para comparar a consciência humana ao morcego que está lhe perturbando durante a noite. Ele descreve este morcego entrar o quarto dele quando está sozinho tentando relaxar depois um dia rigoroso. "Fala que vai mandar levantar outra parede" como se pudesse bloquear os pensamentos que vem da mente. Mas não dá para bloquear a mente com paredes e coisas físicas, so com controle mental. "Por mais que a gente faça, à noite ele entra..." durante a noite a mente fica inventando coisas porque geralmente a gente está sozinho, e a imaginação corre em qualquer direção e depois um dia longo está cansada então as "paredes" ou defesas estão quebradas as mesmas defesas que coloca para defender contra os medos de que teme. A consciência realmente é escuro mesmo que ela quer só pensar nas coisas bonitas e fofas na vida. Por isto o autor usa a relacionamento entre a consciência e o morcego, é algo que se esconde nas sombras.

Thursday, October 6, 2016

Crônicas em cima de crônicas em cima de crônicas

" ...sou finalmente, completamente, um estrangeiro. Posso agora conjugar-me no plural, dizer nós.  Somos todos estrangeiros, sois todos estrangeiros, são todos estrangeiros. Não há nada a fazer a não ser descobrir esse estrangeiro que há na gente." (Ivan Lessa, Somos todos estrangeiros, 95-96).

Sabemos nossos sentimentos, pensamentos e a razão por nossas ações. Ivan Lessa suje um ponto interessante: cada pessoa no mundo é um estrangeiro. Como podemos dizer que conhecemos alguém sem saber os motivos dele, ou os pensamentos, a única maneira de fazer isto será lhe-perguntar mas pode ser que ele mentiria a ti. A única pessoa que podemos conhecer é nós mesmos e muitas vezes passamos a vida inteira buscando a achar quem nós somos, ou seja nosso propósito na vida. Como podemos conhecer alguém que nem se conhece ou nem sabe seu propósito.

"gente simples, ingênua e feliz às vezes provoca essas reações bobas" (Danuza Leão, Um casal feliz, 97).

Amei esta crônica. Sou uma recém casada então sinto assim, que tudo é visto pelos óculos da cor rosa. A transição de ser solteiro a ser num companheirismo é algo divertido e animado. O casal nesta crônica é tão fofa porque numa decisão simples consultaram o outro lado do casal. Dinheiro não sobra muitas vezes no início do casamento, tem que guardar cada centavo que ganha então um compro de um echarpe tem que ser discutido entre os dois. Esse sentimento de felicidade e tanto amor entre o casal deixa o leitor mais feliz por eles e o leitor se lembra quando sentiu o amor de uma outra pessoa pela primeira vez.