Thursday, September 1, 2016

A Cartomante

"Camilo quis sinceramente fugir, mas já não pôde. Rita, como uma serpente, foi-se acercando dele, envolveu-o todo, fez-lhe estalar os ossos num espasmo, e pingou-lhe o veneno na boca. Ele ficou atordoado e subjugado. Vexame, sustos, remorsos, desejos, tudo sentiu de mistura, mas a batalha foi curta e a vitória delirante. Adeus, escrúpulos! Não tardou que o sapato se acomodasse ao pé, e aí foram ambos, estrada fora, braços dados, pisando folgadamente por cima de ervas e pedregulhos, sem padecer nada mais que algumas saudades, quando estavam ausentes um do outro. A confiança e estima de Vilela continuavam a ser as mesmas." (Machado de Assis, A Cartamante, pg. 3)

Na história de Machado de Assis, A Cartomante, é interessante como Machado de Assis descreve como o Camilo e Rita chegaram a cometer adultério lentamente.
Não se olharam e decidiram que iam pecar mas aos poucos ficaram bem confortável um com o outro até fosse tarde demais. Machado de Assis explica antes dessa citação que depois da morte da mãe de Camilo os consoladores eram Rita e seu marido Vilela. Depois um bom tempo em que Camilo e Rita brincavam jogos juntos e fizeram muitas memórias com o outro que ficaram apaixonados. Gosto muito como o autor fala sobre Rita como uma serpente, como na bíblia fala sobre Satanás no Jardim de Éden. Ela foi muita gentil e astuta para ganhar a confiança e amor de Camilo. Ele falou também que não se esforçou muito para parar seus avanços.

Na épica em qual eles viviam era muita séria cometer adultério. Hoje em dia é um pouco mais comum então ninguém se liga muito por coisas assim. Mas acontece no mesmo jeito. Uma pessoa vai conhecendo alguém sem guardar seus sentimentos por aquela com quem é casado. Depois um tempo entusiasmo de ter algo além de seu alcance completamente envolve você. Como Machado de Assis explica ela estava "[pingando]-lhe o veneno". O gosto de obter o impossível é viciante quando sentir tem que ter mais e nunca está satisfeito.


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